De que são feitos os sapatos veganos?
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Os sapatos veganos dispensam qualquer material de origem animal: nada de couro, camurça, lã ou colas animais. Em vez disso, o cabedal, o forro, a palmilha e a sola constroem-se a partir de uma combinação de materiais de origem vegetal (como maçã, ananás, cortiça e milho), materiais reciclados (como as garrafas de PET) e sintéticos produzidos de forma responsável (como a microfibra certificada).
Vejamos onde entra cada um deles dentro do sapato.
O que torna um sapato vegano?
Um sapato é vegano quando nenhum dos seus componentes provém de um animal. Parece óbvio, mas é mais complexo do que aparenta, porque um sapato tem pelo menos quatro pontos onde se pode esconder material animal:
- O cabedal — a parte exterior visível. No calçado convencional é geralmente couro, e é aqui que as alternativas veganas fazem a maior parte do trabalho.
- O forro — o interior. Alguns sapatos «veganos» têm um cabedal de origem vegetal mas um forro em couro ou lã, o que os desqualifica.
- A palmilha — a camada que fica logo por baixo do pé. A mesma armadilha do forro.
- A cola — fácil de passar despercebida. As colas de calçado convencionais podem conter colagénio animal; as marcas verdadeiramente veganas usam cola certificada, de base aquosa e livre de ingredientes animais.
Um sapato verdadeiramente vegano é-o, portanto, de princípio a fim, não apenas à superfície. Para aprofundar: o nosso guia sobre o que torna um sapato verdadeiramente vegano entra em detalhe.
Materiais de origem vegetal
É aqui que estão os materiais mais recentes e interessantes. A maioria nasce de subprodutos agrícolas, partes de uma colheita que de outro modo seriam deitadas fora:
- AppleSkin (couro de maçã) — feito a partir dos resíduos, ou seja, as cascas e os caroços que sobram da produção de sumo de maçã, reduzidos a pó e aplicados sobre microfibras para dar um aspecto de couro. A NAE utiliza AppleSkin de fabrico italiano.
- Piñatex — um têxtil feito de fibra de folhas de ananás, originário das Filipinas. As folhas, normalmente descartadas após a colheita, são transformadas num tecido; as fibras não utilizadas voltam aos campos como fertilizante. A sua produção não exige terra, água nem pesticidas adicionais.
- Cortiça — extraída da casca do sobreiro (Quercus suber) sem abater a árvore. A cultura da cortiça tem mesmo um balanço de carbono negativo, pelo que o seu uso tem um efeito positivo no ambiente. A cortiça é naturalmente impermeável, hipoalergénica, leve e macia.
- Materiais à base de milho — como o On Steam Bioeco, um material respirável derivado do milho.
- Algodão biológico — cultivado sem pesticidas, usado em forros, atacadores e cabedais em lona.
O atractivo é duplo: estes materiais dispensam produtos animais e têm, em geral, uma pegada ecológica muito menor do que a do couro.
Materiais reciclados
Os materiais reciclados dão uma segunda vida a resíduos que de outro modo acabariam no aterro. O mais comum é o PET reciclado (rPET): garrafas de plástico e embalagens alimentares usadas são decompostas e fiadas até obter um têxtil resistente e leve, muitas vezes usado em forros e partes do cabedal. O PET continua a ser um plástico, mas recicla-se bem: reutilizá-lo reduz a necessidade de plástico novo e mantém os resíduos longe do aterro. Do mesmo modo, encontramos borracha reciclada nas solas e nylon reciclado nos compósitos de couro vegano. Uma ideia simples com um efeito real: menos plástico novo, menos resíduos.
Sintéticos produzidos de forma responsável
Nem todos os materiais veganos são de origem vegetal, e é preciso falar disso com honestidade. A primeira geração de sapatos veganos assentava em grande parte no PU e no PVC, no fundo plásticos. Eram livres de material animal, mas não propriamente bons para o planeta.
Os melhores sintéticos de hoje são um avanço. A microfibra certificada — como o material com certificação OEKO-TEX Standard 100, que testa a presença de substâncias nocivas — é durável, fácil de cuidar e livre das toxinas de algumas alternativas mais baratas. O couro vegano da própria NAE é uma mistura de microfibras, entre elas algodão, poliéster e nylon, reciclados sempre que possível. O sintético continua a ter o seu lugar, sobretudo quando se trata de resistência à água e durabilidade; o objectivo é usá-lo de forma responsável e não por mero hábito.
E a sola?
As solas são geralmente de borracha, quer borracha natural extraída de árvores, quer borracha reciclada. Ambas são livres de material animal. A palmilha que fica por baixo é muitas vezes espuma EVA almofadada, um material leve, por vezes revestido com microfibra que afasta a humidade. Nada disto contém produtos animais.
Em resumo
Os sapatos veganos compõem-se de três grandes famílias de materiais que trabalham juntas num mesmo sapato:
- De origem vegetal — maçã, ananás, cortiça, milho, algodão biológico
- Reciclados — garrafas de PET, borracha reciclada e microfibra
- Sintéticos responsáveis — microfibra certificada em substituição do antigo PU e PVC
O que é decisivo é que um sapato seja livre de material animal de princípio a fim: cabedal, forro, palmilha e cola. Os materiais melhoraram enormemente na última década, e é por isso que hoje um sapato vegano é um produto verdadeiramente bom e não um compromisso. Para ver estes materiais na prática: a página de materiais da NAE mostra exactamente o que há em cada par.