Provavelmente já notou que os ténis veganos não são baratos. Um par de qualidade de uma marca ética situa-se normalmente entre 90 € e 160 €. Se alguma vez se perguntou — mas porquê? — este artigo é para si.
Vamos fazer algo que a maioria das marcas não faz: mostrar exatamente para onde vai o dinheiro.
A pergunta que toda a gente pensa mas ninguém faz
Quando compra uns ténis veganos por 125 €, o que está realmente a pagar? A marca? O marketing? Os materiais? A ética? Uma margem misteriosa que financia um iate?
A resposta honesta é mais interessante — e mais complexa — do que tudo isso.
Vamos usar o nosso modelo KARIO como exemplo. Não porque seja o nosso modelo mais caro, mas porque é um produto simples e transparente que explica bem esta história.
Primeiro, um número de que ninguém fala: o IVA
Antes mesmo de chegarmos às fábricas e aos materiais, 23,40 € dos seus 125 € vão diretamente para o Estado em IVA. Nós cobramos no momento da compra e entregamos ao Estado. Nunca o vemos novamente.
Isso deixa-nos com 101,60 € para trabalhar.
Isto é importante porque a maioria das comparações de preços não considera o IVA. Quando vê uns ténis éticos por 125 € ao lado de uma alternativa fast fashion por 40 €, a comparação real não é 125 € vs 40 €, mas sim 101,60 € vs cerca de 33 €. A diferença mantém-se, mas a perspetiva muda.
A fábrica: onde vai mais de um terço
Mais de um terço da nossa receita líquida vai diretamente para a nossa fábrica no norte de Portugal. Este valor cobre dois elementos inseparáveis: as pessoas que fabricam os sapatos e os materiais utilizados.
Portugal é uma das regiões de calçado mais respeitadas da Europa há séculos. As fábricas empregam artesãos experientes — muitos de segunda ou terceira geração — a trabalhar sob legislação laboral europeia, com salários justos, condições seguras e direitos protegidos. Pode ler mais aqui: porque produzimos em Portugal.
Isto não é coincidência. Quando a NAE foi fundada em 2008, escolhemos Portugal precisamente por isto. Não porque fosse a opção mais barata — não era — mas porque qualidade, artesanato e tratamento justo das pessoas eram inegociáveis.
Os materiais: a inovação tem custo
Dentro destes custos de produção estão os materiais. E é aqui que o calçado vegan se torna realmente interessante — e mais caro.
O modelo KARIO utiliza microcouro Ecopure da Morón — um material com 25% de conteúdo reciclado que replica o couro premium sem sofrimento animal e sem o impacto ambiental da produção tradicional de couro. Estes materiais são produzidos em ambientes controlados, com consumo otimizado de energia e água.
O forro é Steam da Morón — respirável e resistente. A palmilha é feita de espuma reciclada. A sola é de borracha natural. Pode explorar todos os nossos materiais veganos.
Nenhum destes materiais é barato. Existem graças a anos de investigação para criar alternativas reais ao couro animal. Cada compra ajuda a financiar esta inovação.
Entrega: os custos invisíveis
A embalagem custa cerca de 2 €. O envio custa em média 6 € — ambos são absorvidos por nós. Envios e devoluções gratuitas não são marketing, são custos reais incluídos no preço.
Depois existem as devoluções. Cerca de 1 em cada 5 pares é devolvido. Cada par é inspecionado, limpo e reintegrado ou processado através do nosso programa Pre-Loved.
Poderíamos cobrar devoluções. Muitas marcas fazem isso. Nós não fazemos, porque a confiança deve ser recíproca.
O resto
O restante cobre a equipa, o armazém, o design, a tecnologia e 18 anos de construção de marca.
Não é uma margem elevada.
É um preço justo por um produto bem feito.
Vale 125 €?
Essa decisão é sua.
Um par de NAE usado durante 4 a 5 anos custa cerca de 2 € por mês. Uma alternativa mais barata, substituída frequentemente, acaba por custar mais — financeiramente e ambientalmente.