Is Veganism Rising or Declining? The Honest Answer

O veganismo está a crescer ou a diminuir? A resposta honesta

Nae Vegan Shoes

Se ultimamente viu manchetes a dizer que o veganismo está a perder força, provavelmente também viu manchetes a falar de um crescimento sem precedentes. Os dois lados brandem estatísticas, e ambos parecem convincentes. Então, o que está realmente a acontecer?

A resposta honesta: depende do que se está a medir. E, assim que se separam as coisas que costumam ser misturadas, o panorama torna-se muito mais claro — e muito mais interessante do que qualquer uma das duas manchetes sugere.

Vamos analisar isto com calma.


A confusão: o veganismo não é uma categoria de produto

A maioria das notícias sobre o «declínio» do veganismo em Portugal baseia-se num dado muito concreto: a percentagem da população que se identifica como veggie — vegan, vegetariana ou flexitariana — voltou a descer depois do crescimento acelerado do pós-pandemia. Segundo o estudo «The Green Revolution» da consultora Lantern, essa percentagem subiu de 9% em 2019 para 11,9% em 2021, mas recuou para 10,4% em 2023 — o equivalente a perder mais de 90 mil consumidores veggie em dois anos, sobretudo homens.

A nível europeu, o Good Food Institute traça um quadro semelhante para os produtos transformados: as vendas de alternativas vegetais caíram cerca de 4% em 2024, com os preços elevados e o excesso de processamento como principais razões. Os imitadores de carne e peixe foram os mais afetados, com uma queda de 12 a 13% em relação ao pico de 2021-2022, e várias marcas conhecidas desapareceram por completo do mercado.

Portanto, se a sua definição de veganismo é «a percentagem de portugueses que se identifica como veggie», então sim — essa percentagem está a descer desde o pico de 2021.

Mas nunca foi isso que é o veganismo. O veganismo é um conjunto de valores sobre os animais, aplicado à forma como se vive — o que se come, o que se veste, o que se compra. E medido assim, os dados contam uma história bem diferente.


As pessoas: mais gente a reduzir, não menos

O número de pessoas que segue, de uma forma ou de outra, uma alimentação à base de plantas continua a crescer. A nível global, as estimativas situam a população estritamente vegan em torno de 1% — dezenas de milhões de pessoas — com um crescimento constante ano após ano.

E o compromisso mantém-se, não se dissolve. O próprio inquérito da Veganuary aos seus participantes de 2024 revelou que 82% planeava fazer alterações alimentares significativas e permanentes depois de participar. Não são pessoas que experimentam uma tendência durante um mês e depois a abandonam — a maioria mantém a mudança.

Em Portugal, mesmo com a descida para 10,4%, isso continua a representar cerca de 910 mil adultos que seguem uma alimentação predominantemente vegetal — e a queda não é uniforme. Entre as mulheres portuguesas, uma em cada nove (11,2%) é veggie, uma descida muito mais ligeira do que entre os homens, que lideraram a saída dos últimos dois anos. E, enquanto a percentagem de veggies recua, as alternativas vegetais ao leite e ao iogurte continuam a crescer: as bebidas vegetais geraram 42,3 milhões de euros (face a 40,6 milhões no ano anterior) e os alternativos ao iogurte atingiram 12,5 milhões de euros, acima dos 10,1 milhões de 2022.

O resto da Europa aponta na mesma direção. Segundo a ProVeg International, as vendas a retalho de produtos de origem vegetal atingiram 1,68 mil milhões de euros na Alemanha e 639 milhões de euros na Itália em 2024, ambas em crescimento face ao ano anterior. Mesmo em mercados onde as vendas em supermercado recuaram, o comportamento conta outra história: no Reino Unido, os pedidos de pratos vegetais em restaurantes de refeição rápida cresceram 56% em 2024.


O que diminuiu na realidade? A primeira onda, não os valores

O que estamos a ver não é o declínio do veganismo — é o fim da primeira onda. Entre 2019 e 2021, Portugal ganhou quase 250 mil novos veggies, um crescimento de 33% impulsionado em boa parte pela pandemia, quando muita gente experimentou mudar de hábitos alimentares de um dia para o outro. Os dois anos seguintes foram a correção natural: parte dessas pessoas — sobretudo homens, segundo a Lantern — não manteve o hábito, e a percentagem desceu para 10,4%.

É isto que parece a maturação de um mercado. O mesmo aconteceu com os alimentos biológicos há vinte anos: um entusiasmo explosivo, uma correção, e depois uma normalização estável. Os produtos que as pessoas continuam realmente a comprar — leites vegetais, alternativas ao iogurte, leguminosas — estão a crescer de forma consistente desde 2021. O que está a perder força é a onda inicial de adesão, não a categoria de produtos em si.

E vale a pena ser preciso sobre qual é o problema real — porque não é a existência de alternativas à carne em si. A maioria das pessoas vegan não evita a carne porque não gosta do sabor. Evita-a porque se recusa a que um animal seja morto para a produzir. A memória dos sabores e texturas com que se cresceu é real, e não há nada de errado em querer recuperá-los. Um produto que ofereça essa experiência sem o animal é, em si mesmo, uma excelente ideia.

O problema está na forma como a maioria destes produtos é atualmente fabricada: listas de ingredientes intermináveis, processamento intensivo, elevado teor de sódio — exatamente aquilo de que as pessoas tentam afastar-se quando mudam a sua alimentação. Os consumidores não rejeitaram o conceito. Rejeitaram a execução. Se leu o nosso guia sobre como tornar-se vegan, talvez se lembre de dizermos algo semelhante: use os substitutos como uma ponte, deixe que a comida real seja o destino. Essa ponte continua a ser importante — só precisa de ser melhor construída.


E a moda e o calçado? Crescimento silencioso e constante

Aqui está a parte que as manchetes centradas na alimentação nunca mencionam: na moda vegan não há nenhuma história de declínio — e Portugal está no centro dessa história.

Nos últimos anos, Portugal tornou-se um pequeno polo de calçado vegan, com várias marcas nacionais a crescer em paralelo. A Zouri, fabricada em Guimarães, já recolheu mais de uma tonelada de plástico das praias portuguesas para transformar em sapatos, combinando-o com algodão biológico, Piñatex e borracha natural. A Lazuli produz calçado vegan de mulher 100% feito em Portugal, da sapatilha à bota. E a NAE — fundada em 2008 no Porto, com o nome a significar literalmente «No Animal Exploitation» — é hoje uma das marcas portuguesas mais antigas e reconhecidas nesta área, com um catálogo que vai de botas a sandálias, feito a partir de Piñatex, cortiça, plástico reciclado e microfibra.

Nenhum analista, em lado nenhum, prevê uma travagem nesta tendência. E porque é que a moda é diferente da alimentação? Achamos que por duas razões. Primeiro, nunca existiu um equivalente ao «produto da moda» — ninguém comprou sapatos vegan por causa de uma onda viral de marketing, por isso não há nenhuma bolha para esvaziar. Segundo, os materiais melhoraram mesmo. Um sapato vegan em 2026 — feito de Piñatex, couro de maçã, cortiça ou microfibra de alta qualidade — é simplesmente um produto melhor do que o seu equivalente há dez anos. Na NAE observamos isto de dentro desde 2008: a pergunta do cliente passou de «isto é tão bom como o couro?» para «qual destes materiais prefiro?». É a isto que se parece a normalização.

Há ainda um sinal mais discreto, mas significativo: as pessoas que compram calçado vegan já não são apenas vegans. Consumidores conscientes, pessoas que evitam o couro por razões ambientais, pessoas que simplesmente gostam destes materiais — o público alargou-se muito além do 1% que se identifica como vegan. É essa a diferença entre um nicho e um movimento.


O resumo honesto

O veganismo está a crescer ou a diminuir? Medido pela percentagem de portugueses que se identifica como veggie — está a descer desde o pico pós-pandemia de 2021. Medido pelo número de pessoas que continua a consumir alternativas vegetais ao leite e ao iogurte — está a crescer de forma consistente. Medido pelo comércio a retalho de produtos vegetais na Europa — está a crescer na maioria dos mercados. Medido pela moda e pelo calçado vegan — está a crescer sem interrupções, com Portugal como um dos protagonistas. Medido pelas vendas dos atuais substitutos de carne ultraprocessados — está a diminuir, o que diz menos sobre a ideia em si e mais sobre o que a indústria ainda tem de fazer: as pessoas querem estes produtos, mas bem feitos.

A primeira onda foi sobre imitar a qualquer custo. A segunda onda — em que estamos agora — é sobre qualidade: comida real, melhores materiais, produtos honestos que se sustentam por si próprios. O veganismo não está a encolher. Está a maturar.
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