Piñatex vs couro de maçã: qual é melhor?
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Nenhum é simplesmente «melhor»: servem para coisas diferentes. O Piñatex é feito a partir de fibras de folhas de ananás e tem um aspeto natural e texturado, com um menor teor de plástico. O couro de maçã é feito de resíduos da indústria do sumo de maçã ligados com poliuretano, por isso é mais liso e mais próximo do toque do couro tradicional, mas contém mais plástico. Se queres o material mais natural — um aspeto mais cru, ainda que mais delicado —, escolhe o Piñatex; se queres o que mais se parece com o couro, no aspeto e no toque, e é mais resistente, escolhe o couro de maçã.
Aqui fica a comparação completa, com base nos dados dos fabricantes dos dois materiais e em testes independentes.
O que é realmente cada material
O Piñatex é um têxtil não tecido produzido pela Ananas Anam, fundada pela Dra. Carmen Hijosa e com sede em Londres, com operações nas Filipinas e em Espanha. A sua base, o Piñafelt, compõe-se de 80 % de fibras de folhas de ananás e 20 % de PLA, sendo depois rematada com um revestimento. As folhas são um subproduto da colheita da fruta, pelo que para as cultivar não são precisos nem terra, nem água, nem pesticidas adicionais. Um detalhe muitas vezes esquecido: ao longo dos anos, a Ananas Anam reduziu a resina de origem petrolífera da sua gama Original de cerca de 40 % para uns 5 %, de modo que o Piñatex de hoje é bem menos carregado de plástico do que as primeiras versões.
O couro de maçã — em geral vendido como AppleSkin — começa como resíduo da indústria do sumo de maçã no Tirol do Sul, no norte de Itália. Uma empresa chamada Frumat recupera a casca e a polpa e mói-as até obter um pó; este é enviado ao fabricante Mabel, perto de Florença, onde é misturado com poliuretano e aplicado sobre um suporte de algodão e poliéster. O teor de maçã varia consoante a qualidade — as próprias fichas técnicas da Mabel vão de cerca de um quarto a quase metade de resíduo de maçã conforme o artigo —, mas costuma ser descrito como 50 % maçã e 50 % sintético.
Ambos são, portanto, materiais híbridos: um componente de origem vegetal que de outro modo seria um resíduo, mais algum plástico para dar durabilidade e outras propriedades. Nenhum é 100 % natural, e ambos os fabricantes o assumem abertamente.
Lado a lado
A forma mais rápida de ver as diferenças:
| Piñatex | Couro de maçã | |
|---|---|---|
| Material de base | 80 % fibras de folhas de ananás + 20 % PLA | ~25–50 % resíduo de maçã + poliuretano |
| Fabricante e origem | Ananas Anam — Filipinas, acabado em Espanha | Frumat + Mabel — fabricado em Itália |
| Aspeto e toque | Natural, texturado, mate | Mais liso, o mais próximo do couro verdadeiro |
| Acabamentos | Original, granulado, liso, metalizado | Muitas qualidades: liso, granulado, gravado |
| Resistência à água | Repelente à água (não impermeável) | Repelente à água, fácil de limpar |
| Robustez | Comparável ao couro (~200 N/5cm) | Elevada; resistente, 5–7 anos de uso diário |
| Teor de plástico | Menor (≈5 % de resina na Original + PLA) | Maior (PU até ~50 %) |
| Biodegradável | A base biodegrada-se industrialmente; o revestimento não | Não |
| Certificação | PETA-Approved Vegan | PETA, OEKO-TEX, USDA BioPreferred |
Aspeto, toque e uso diário
É aqui que de facto diferem. O Piñatex tem uma superfície característica, ligeiramente texturada e mate — parece o que é, um material natural, em vez de fingir ser couro de vaca. Começou com a sua textura enrugada característica e hoje surge também em acabamentos mais lisos e metalizados, mas o carácter faz parte do seu encanto.
Piñatex — a superfície natural e texturada de perto.
O couro de maçã imita melhor. Pode ser acabado liso e macio como manteiga, ou gravado com um grão difícil de distinguir do couro animal, e por isso surge tanto em calçado como em acessórios de luxo. Vem numa ampla gama de qualidades — só o catálogo da Mabel enumera artigos distintos para cabedais de sapato, forros e estofos —, pelo que o toque exato depende de qual cada marca escolhe. Para artigos de uso diário, uma peça de couro de maçã bem cuidada pode durar entre cinco e sete anos.
Couro de maçã — o acabamento mais liso e parecido com couro.
Qual é mais sustentável?
Ambos partem de resíduos agrícolas, e essa é a maior parte da sua vantagem: aproveitam um subproduto que de outro modo seria deitado fora, e ambos evitam as elevadas emissões, o consumo de água e a curtimenta tóxica do couro animal. A Ananas Anam estima o impacto ecológico global do Piñatex em cerca de dois terços menos do que o couro sintético.
A diferença é o plástico. A gama Original do Piñatex usa agora apenas cerca de 5 % de resina sobre um feltro à base de PLA, por isso o seu teor sintético é baixo. O couro de maçã apoia-se numa proporção maior de poliuretano convencional. Ambos os fabricantes admitem com franqueza que algum plástico é hoje inevitável: é o que permite aos materiais de base biológica durar, e um material que se desfaz numa estação também não é sustentável. A Mabel calcula que, por cada quilograma de resíduo de maçã usado em vez de PU, se poupam cerca de 5,3 kg de CO₂.
O resumo honesto: o Piñatex ganha no teor de plástico; o couro de maçã, na durabilidade parecida com a do couro. Nenhum é perfeito; ambos são um avanço real face ao couro animal em termos de sustentabilidade.
Na NAE usamos ambos, a par da cortiça e de materiais reciclados, escolhidos consoante cada modelo em vez de uma solução única — a mesma abordagem de outras marcas pioneiras e casas de moda. Podes ver que material usa cada par na página de materiais, e o nosso artigo sobre de que são feitos os sapatos veganos aborda o panorama mais amplo.